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domingo, 15 de abril de 2012

Fotografia Impressionista


Blog que incita reflexões sobre a arte impressionista e a fotografia. Uma conversa sobre suas interações, compartilhando o experimento de produzir uma "fotografia impressionista", em nome da arte e da liberdade de expressão. Espaço para conhecer, disseminar e trocar idéias com outras pessoas que façam experimentações semelhantes.


Numa pesquisa sobre arte impressionista, é interessante conhecer os modelos antecedentes (realista, neoclássico, renascentista etc), seu contexto de origem, biografia dos pintores, a repercussão na sociedade da época, sua influência dissolvida e absorvida nos movimentos subsequentes (neo-impressionismo, pontilhismo), sua contemporaneidade.

Interessante conhecer as motivações de cada um, o olhar de cada um, o que alimentava a arte dos pintores, o que eles consumiam. Desde a arte japonesa (Hokusai) apreciada por Monet, Van Gogh e Gouguin, até os caberets parisienses frequentados por Lautrec, que chegou a morar em um. Interessante também conhecer suas relações familiares e entre si, amigos pintores. Por exemplo, a relação de amizade e parceria de Pissarro, um dos pais do impressionismo, com outros pintores como Cézanne, Seurat e Gauguin. A relação de Van Gogh com seu irmão Theo e a admiração mútua pelo trabalho de Gauguin - apesar dos conflitos.

O impressionismo surgiu durante o advento da fotografia, que impulsionou esse questionamento aos padrões acadêmicos da arte do Realismo. A pintura da realidade agora era realizada pela fotografia. Assim, houve o rompimento da pintura realista, e o interesse dos pintores pelos temas ligados à igreja, à nobreza ou à reprodução fiel da realidade foi substituído pelo interesse em capturar em suas telas a fugacidade da vida, o movimento, a efemeridade da luz, cenas ao ar livre, onde o quadro, em si, fosse uma obra.

O estudo da luz, abrangido pela técnica da fotografia, é uma das principais preocupações dos artistas impressionistas. Não coincidentemente a primeira exposição dos pintores impressionistas aconteceu no estúdio de fotografia de um dos pioneiros da fotografia, Félix Nadar. Em Abril de 1874, rejeitados pela crítica, pelo Salon de Paris e pelo Salon des Refusés (Salão dos Recusados), os artistas Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Cézanne, Berthe Morisot e Edgar Degas apresentaram sua primeira exposição impressionista com apoio do amigo fotógrafo.




O termo "impressionismo" surgiu com um sentido pejorativo, originalmente, a partir da crítica a um quadro de Monet "Impression: Soleil Levant" (1872). A crítica foi feita pelo pintor e escritor Louis Leroy: "Impressão, nascer do sol, – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha." E Monet e seus amigos assim intitularam o movimento: Impressionismo.

Nas pinceladas soltas, sem contorno definido, numa imagem quase dissolvida, se vê o movimento das águas, os reflexos da luz, a fumaça do trem, o contorno indefinido do movimento das bailarinas, um conversa entre amigos num bar. Na arte impressionista é o instante que é pintado, seja o instante de um rio enevoado ou de pessoas numa praça. E a técnica da mistura de tintas dá lugar ao estudo das cores e aos efeitos ópticos, ao conhecimento científico sobre a refração da luz. Os efeitos da luz do sol sobre as cores da natureza, num determinado instante e ângulo, é que eram pintados.

A história mostra que as técnicas, por vezes, se mostram como barreiras. Conhecendo-as, dominando-as, pode-se criar uma forma adequada de transpô-las, de ir além delas, expressando, assim, de um modo particular e novo, o que se sente através da arte. Na arte não há barreiras, por isso que é Arte! Seja na música, poesia, pintura, escultura, ou na fotografia, "o transpor" é que faz sua arte ser única! Pois a arte está além da pura técnica. Não se sabe para onde caminha a arte (sentido amplo ou restrito; expressão de uma sociedade ou pessoa), posto que é um processo rico, de contínuo experimento do conhecimento, e que se retroalimenta, sempre.

Há mais de uma década, tenho me expressado através do desenho, poesia, arquitetura, pintura, arte digital (montagens) e fotografia, a qual tenho me dedicado com mais intensidade, ultimamente. Surgindo num processo natural e descomprometido, porém de aprendizado cumulativo, tenho atualmente um projeto particular, onde tento expressar a fotografia como objeto de arte. 

A partir da fotografia procuro fazer minha leitura impressionista - conceitualmente falando, onde tento deslocar o limite entre  fotografia e pintura, em nome da arte e da liberdade de expressão. 


Nesse projeto, o tema é fotografado e a foto é trabalhada para se obter um efeito impressionista contemporâneo. A imagem é construída não por tintas, e sim pelas luzes capturadas pela câmera, e a imagem registrada em arquivo digital será decomposta em pixels, postos em evidência, em menor ou maior grau, justapostos ou aglutinados.


Seurat, neo-impressionista, capturava a imagem pela sua "câmera ocular", seu olhos, e, utilizando-se de seus conhecimentos de física, óptica e estudo das cores, decomponha as luzes em pontos de cores sobre a tela, e na visão desse pontilhismo justaposto a imagem se formava. 



O "quadro" então pode ser trabalhado (cores, filtros, contraste, saturação etc) por pixel e por grupo de pixels, dependendo da complexidade do objeto ou da luz que desejo modificar/ressaltar.


















Para a criação de novo(s) item(ns)s na composição da obra faço a "pintura" dos pixels, podendo adicionar, inclusive, partes de uma outra fotografia, de forma integrada e artisticamente harmônica.


Mais Fotografias impressionistas publicadas no meu Flickr: 

PARA SABER MAIS: as idéias do impressionismo influenciaram também revoluções na música e na literatura...